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quinta-feira, 29 de abril de 2010

As Relações de Poder

Por Anderson Araújo

Geralmente nos enganamos quanto aos conceitos de poder e violência, julgando-os como se fossem sinônimos. Mas, temos que nos conscientizar de que não é a mesma coisa! Inclusive, para começo de conversa, onde o poder se encontra não há violência, e o inverso também é verdade: onde há violência não existe o poder.

Lembremo-nos de Hitler na Alemanha, durante o regime nazista, e, sobretudo das ditaduras que existiram no último século. O que há de comum nesses regimes? O uso de instrumentos como forma de tomar e de assegurar o poder!!! A presença de instrumentos num governo nos ajuda a perceber se o que existe é o poder ou a violência. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a Violência se distingue do poder por possuir um caráter instrumental, ou seja, se há emprego de instrumentos como forma de tomar ou assegurar o poder, o que existe de fato é a violência.

O uso de armas ou de torturas só reforça a ausência de poder. Se alguém necessita de armas para impor uma idéia ou para alcançar alguma coisa não existe o poder.

O poder, para que seja legítimo e reconhecido enquanto tal, necessita de números, quer dizer, de apoio. No Brasil, por exemplo, o poder do presidente Lula é legítimo. Por quê? porque o atual presidente não usou nem armas nem violência para alcançar o poder. O presidente Lula só se encontra no poder, e pelo segundo mandato, devido ao número de pessoas que o apoiou através do voto.

O poder é consentimento, depende do apoio das pessoas, ou do voto. Enquanto a violência faz uso de instrumentos para alcançar o que deseja, por exemplo, quando um criminoso me rouba a carteira com a ajuda de uma faca, ou rouba o banco com a ajuda de uma arma.

Assim, a violência se manifesta agressivamente, e por isso mesmo, nos assusta, e nos deixa muitas vezes imóveis. O ser humano é tentado a recorrer à violência para alcançar o poder. Vejamos um exemplo que pode ocorrer em sala de aula:

O professor está explicando um conteúdo ou trabalho. É “o momento legítimo” para que ele exerça o seu poder. Alguns alunos conversam durante a explicação. Um aluno até grita para fazer com que os colegas escutem-no: estamos diante de um ato violento. Aumentar o tom de voz para ser reconhecido é uma forma de violência.

Outra coisa que precisamos deixar bem claro também é que o poder não pertence apenas a uma pessoa. Podemos ver isso através dos seguintes exemplos. O professor, ao permitir que um aluno fale e expresse as suas idéias, permite com isso que o poder circule. Numa empresa, o chefe, líder ou gerente também faz com que o poder circule, ao permitir que os seus funcionários participem de reuniões, manifestem suas opiniões e tomem decisões, ainda que restritas à sua àrea de atuação; e essa é a segunda principal característica do poder: ele acontece numa relação, nunca permanece “nas mãos de uma só pessoa”.

Em debates e discussões, é comum algumas pessoas alterarem o tom de voz, pensando que, por meio do grito, manifestariam o seu poder, mas não deixa de ser uma atitude de violência. Estamos diante de um falso poder quando existe medo numa relação e não o respeito.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vingança sofisticada

Por Anderson Araújo
Li numa revista que o Chico Anísio disse que uma das piores coisas do mundo é a ingratidão, que é a incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que ele poderia não ter feito, ou ainda, incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que outros que tinham condições de fazer, não fizeram.

Assunto complexo. Nietzsche, o filósofo que incomoda tanta gente, diz que a gratidão só é possível entre iguais. E que uma forma sofisticada de vingança consiste em dar, em presentear, e não em ficar alimentando maneiras e modos de vingar-se, nem ficar nutrindo sentimentos rancorosos ou ressentimentos diante daqueles que nos fizeram algum mal.

Muita gente tem até vontade de agradecer aos outros por algo que lhe fizeram. Mas, na verdade, muita gente não sabe agradecer. Há pais que não sabem agradecer aos filhos. Há filhos que não sabem agradecer aos pais.

As pessoas que não sabem agradecer pensam que na atitude de agradecimento elas manifestarão a sua pequenez e até mesmo a sua miséria. Mas o que Nietzsche diz é o contrário, a gratidão revela que somos fortes e que alcançamos um equilíbrio de poder e de forças diante do outro.

Será a ingratidão coisa dos fracos?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"Liberdade a qual tardia entretanto"

Por Anderson Araújo

Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda". (Cecília Meireles)

Liberdade, palavra tão empregada por todos, sobretudo, adolescentes. Um sonho, uma dádiva, uma conquista e, um problema.

É sempre problemática toda discussão em torno do que seja a liberdade. Na cabeça de todo adolescente e de muitos adultos é comum a ideia de que "liberdade é fazer tudo o que se quer" - Essa LIBERDADE ABSOLUTA parece rimar com ABSURDA quando diz respeito a seres humanos. Parece coisa de deuses. Ora, você PODER fazer tudo?

Primeiro, a vida em sociedade seria impossível. Pois, a liberdade absoluta de uma pessoa acabaria comprometendo diversas liberdades. Segundo, não haveria graça alguma "poder fazer tudo". O prazer e a alegria dos nossos sonhos e projetos estão justamente na busca por eles, na luta e nos desafios enfrentados por eles.

Na minha adolescência eu demorei a compreender o que o filósofo Jean-Paul Sartre disse sobre a liberdade. A sua famosa frase é: "A existência precede a essência". Isso quer dizer o seguinte: a nossa existência é sempre algo em movimento, que pode ser mudado, que pode ser transformado, e é nisso que está a nossa liberdade. Não temos uma essência que determina a nossa existência.

Além disso, deve-se ter em mente que ao se falar em liberdade, fala-se em ESCOLHAS. A possibilidade de escolher que vai determinar se o nosso comportamento é livre ou não. Assim, ainda que não possamos realizar muitas de nossas escolhas, o fato de poder escolher já é indício e marca da nossa liberdade. Não escolhemos os contratempos, as barreiras do caminho a ser trilhado. Continuamos livres, ainda que uma pedra no meio do caminho impeça a nossa passagem. Poder escolher é uma coisa. Poder realizar as nossas escolhas já é outro assunto.

E ainda precisamos pensar sobre a ideia de que "DISCIPLINA É LIBERDADE", verso presente numa das belas canções do Renato Russo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O sentimento de compaixão em "Um sonho possível"


Por Anderson Araújo
Assisti ao filme “Um sonho possível” que traz atuação da Sandra Bullock. Fiquei pensando no sentimento de compaixão. E me lembrei que o filósofo escocês David Hume tem uma teoria interessante sobre a compaixão. Explicando em breves palavras. O filósofo afirma que somos atingidos mais fortemente pela tristeza e pela aflição do que pelo prazer ou satisfação dos outros. E que a intensidade da compaixão aumenta de acordo com a relação de proximidade que temos com aquele que sofre. Ou seja, quanto mais próximos daquele que sofre, seja em grau de parentesco e de amizade, ou de distância, maior será o sentimento de tristeza em nós.

Temos uma história de compaixão em “Um sonho possível”. Mas nela, o grau de proximidade entre os envolvidos é pouco. E isso me fez pensar no significado da máxima “sou cristão”, sobretudo diante dos debates, denúncias e críticas a respeito das práticas cristãs, seja no protestantismo ou no catolicismo.

Um senhor de 82 anos me disse uma vez que ser cristão não é apenas seguir o Cristo, mas ser um “outro Cristo”, ou seja, fazer o que o Cristo fez. Vi neste filme uma temática verdadeiramente cristã. Uma mulher de muitas posses arrisca o bem estar da sua família para acolher um desconhecido. Uma história de compaixão que coloca diante de nós o verdadeiro significado da palavra “cristão” e revela que, “as palavras passam e os exemplos arrastam”.

Filosofar para alargar os nossos horizontes

Por Anderson Araújo

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”, nos diz o filósofo Sócrates. Ora, filosofar é justamente isso, refletir sobre si mesmo e sobre o mundo. Mas por qual razão? A etimologia da palavra filosofia pode nos ajudar a responder a esta pergunta. Filos, termo grego que significa amizade. Sofia, que significa sabedoria. O homem filosofa porque tem desejo de conhecer e possui amor pelo conhecimento.

O homem pensa sobre si mesmo porque deseja conhecer-se melhor. E o mesmo se dá no seu pensamento sobre os seus semelhantes e sobre o mundo a sua volta. Ele pensa sobre eles porque deseja conhecê-los melhor.

O filósofo faz perguntas porque ama o conhecimento. O filósofo duvida porque ama as distinções. Às vezes, pode parecer que o discurso filosófico não passa de um discurso vazio, sem sentido. Pois, são tantas perguntas e tantas respostas... E todas as respostas vão sendo debatidas por outros filósofos. Muitas vezes temos até preguiça de filosofar, porque queremos entender tudo rapidamente e dar, apressadamente, a nossa opinião sobre tudo.

Mas a filosofia também não se constrói com opiniões? Sim e Não. Porque as opiniões são, de um lado, afirmações ou negações apressadas, sem fundamento. E por outro lado, elas podem se manifestar como algo espontâneo, criativo, o que nos ajuda a filosofar. Por isso, qualquer teoria filosófica deve ser discutida entre os filósofos. Construímos pensamentos filosóficos a partir de opiniões, mas eles não são simples opiniões.

Assim, filosofar é submeter as nossas opiniões e os nossos pensamentos ao debate, seja em sala de aula, em casa ou numa roda de amigos. Filosofar é algo eminentemente humano, capaz de alargar, ampliar os nossos horizontes.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Imitação ou Invenção

Por Anderson Araújo

Toda criança passa por um processo de aprendizagem quando vem ao mundo, processo que em sociologia chamamos de socialização. Ela precisa imitar determinados comportamentos e um conjunto de regras e valores para viver em sociedade.

Não há dúvida de que a socialização é realmente necessária. Tenho pensado que cada comportamento, jeito de ser, depende do equilíbrio entre imitação e invenção.

Há pessoas que imitam demais e perdem a sua singularidade, originalidade. Pessoas que se perdem em modelos admirados, e que, irrefletidamente, reproduzem comportamentos doentios, a guerra religiosa, por exemplo.

Por outro lado, há pessoas tão originais, em latim, sui generis, que até mesmo nos incomodam na convivência. Pessoas originais demais imitam pouco o comportamento alheio. Isso provoca admiração, mas também um certo incômodo em todos. Pense nos artistas: pessoas extremamente criativas.

A imitação é necessária para a socialização. Mas a invenção é sempre saudável, e é o que torna o mundo dinâmico. Diante da dúvida, escolho o equilíbrio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Olhar Filosófico

“Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas”. (Nietzsche).


Um OLHAR filosófico sobre o mundo exige que nos distanciemos do que vemos e do que experimentamos. Só assim notamos o real tamanho das coisas. O contrário, uma atitude não filosófica diante da vida, é "engolida" pelas coisas e pelos acontecimentos, se perde em tudo o que faz, sem saber distinguir entre o que é e o que faz. Experimente distanciar-se.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Utilidade ou Valor da Filosofia

Durante muito tempo fiquei pensando na função e/ou utilidade da filosofia. Os alunos me perguntam sobre a utilidade desta disciplina. Diversas vezes caí nesta cilada, pensar na utilidade da filosofia...
Hoje penso em Filosofia como ocupação, como modo de vida, como jeito de ver o mundo. As coisas nos são úteis, e atendem aos imediatismos.

Mas... Filosofia como modo de vida nos ajuda a pensar corretamente. Ainda que o pensar corretamente nem seja o mais útil. Por isso, é melhor pensar no valor da Filosofia como modo de vida, como um socrático "ocupar-se de si".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Textos de Filosofia - Vestibular UFMG 2011

A página da Comissão permanente do vestibular - COPEVE - disponibiliza os textos em sua página para download.

Vestibular 2011 > Textos de Filosofia indicados ao Vestibular 2011

Textos de Filosofia indicados ao Vestibular 2011

SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: O Homem e o Tempo). Tradução de J. Oliveria Santos & Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
MILL, John Stuart. O Utilitarismo. (Capítulo II: O que é o Utilitarismo; Capítulo V: Da Relação entre Justiça e Utilidade). Tradução Alexandre Braga Massella. São Paulo: Iluminuras, 2000.
WILLIAMS, Bernard. Moral: uma Introdução à Ética. (Capítulo intitulado Utilitarismo, pp. 137-165)Tradução de Remo Mannarino Filho. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

Consulte e baixe os textos em: www.ufmg.br/copeve